Os meus votos para 2013

Há cerca de três anos começava o derrube de um governo com a conivência e convergência de toda a Direita e de toda a Esquerda e até de parte do partido que o suportava sob o pretexto de que atacava a Escola Pública porque pretendia implementar um modelo de avaliação dos professores que tivesse efeitos práticos. Nesses tempos, brandiam-se argumentos patrióticos em todos os órgãos de comunicação social porque algumas crianças portugueses passariam a nascer num hospital de Badajoz a dez quilómetros da fronteira portuguesa em resultado de um acordo que visava proteger melhor a saúde das grávidas com menores custos; bloqueavam-se estradas porque se encerrava o serviço de atendimento dos Centros de Saúde das 0 às 8 horas em locais em que a média de ocorrência a esses serviços era de uma ou de duas pessoas por dia; organizavam-se marchas contra o desemprego que aumentava algumas décimas…

E o governo caiu e tornou-se obrigatória de um dia para o outro a intervenção estrangeira há muito reclamada por todos os sábios deste país que continuam a usar o mesmo tempo de antena (vitalício) que antes usaram para derrubar um governo e que agora usam para espalhar a confusão. Promoveram o mal e agora praticam a caramunha como se fossem oposição ao que criaram, fingindo nada ter a ver com o assunto, apresentando-se como vozes denunciadoras e de esperança, mas vão “vendendo” a ideia que o nosso sofrimento era algo inevitável, que não havia – nem há – alternativa. E agora temos dezenas de milhar de professores desempregados, cortes na saúde, crianças privadas de refeições, aumento galopante do desemprego, empresas a fechar a toda a hora, emigração em massa de jovens e menos jovens… Mas o povo, respeitosamente, resiste, de boina na mão, indigna-se, cria e divulga anedotas demolidoras, piores que bombas, denuncia incríveis falcatruas. Mas satura-se de se indignar, cansa-se de protestar, já não se ri das anedotas, resigna-se, resigna-se…

Esta manobra foi tão perfeita que ainda hoje o nome do chefe do governo que caiu, é tabu! Nem aqui no Facebook é pronunciado… Amigos que antes não poupavam o menor vestígio de diatribe do S*******, que me enchiam a caixa de e-mails de denúncias e anedotas, desapareceram… Resignados? Envergonhados? Satisfeitos? Não sei. Mas hoje ainda vejo vestígios desse governo a serem exibidos como bandeiras – como é o caso do enorme salto que Portugal deu na inovação em setores tradicionais, no investimento em infraestruturas e em energias alternativas, na ciência, na investigação e desenvolvimento, na cultura, nas artes plásticas, nas indústrias criativas, que o mais patético presidente da República que alguma vez tivemos (um equivalente longilíneo do endomorfo Américo Thomaz), que à falta de algo positivo que pudesse anunciar do atual governo – do “seu” governo – não hesitou em desfraldar no discurso do “25 de Abril” passado… E vejo com tristeza e revolta, o criminoso abandono da rede pioneira de abastecimento de veículos elétricos a apodrecer, e o desfazer dos acordos, já assinados, para construção de veículos elétricos – transferidos para a Catalunha, tal como assisto pela TV, nos longínquos Andes, alegres crianças em locais remotos, vencerem a sua ignorância com a preciosa ajuda dos “famigerados” Magalhães, que aqui, nesta terra de doutores, foram erradicados como se obra de satanás se tratasse.

Por isso esta comissão liquidatário a que chamam governo, não me merece respeito, nem sequer a dignidade de a tratar pelo nome. Quem presta alguma atenção ao que aqui vou postando já deve ter reparado que nem anedotas, nem sequer o nome dos sujeitos que fazem parte desta famigerada comissão liquidatária, faço referência. Só quando de todo em todo não posso evitá-lo. Essa gente para mim é usurpadora do poder e não tem um pingo de legitimidade democrática. Hitler e o seu bando conquistaram o poder com o voto popular e nem por isso adquiriram legitimidade democrática. Isto porque recorreram à mentira, à conspiração e a todas as mais pérfidas armas da anti democracia.

 

Que posso desejar para o ano de 2013?

Antes de tudo, mais clarividência e menos emoção. As emoções fazem faltam porque são a energia da razão, mas as emoções sem a razão são nefastas. Um ser humano zangado, abatido, eufórico, indignado, deprimido, é um ser humano enfraquecido, crédulo, sugestionável, fácil de vencer. Há muita emoção no ar muito gasto inútil de energia e do que precisamos é dar um sentido útil a essa energia.

Precisamos de ver com os nossos próprios olhos, ler dentro de nós, antes de nos deixarmos influenciar pelos outros – inclusive por mim. Há múltiplas razões para viver a vida que vivemos e há mudanças que têm de ser feitas. Todos percebemos isso. E não é a democracia o embaraço que temos pela frente. É antes a falta de democracia. O avacalhamento que foi feito pelos inimigos da democracia. Não vale a pena, à pressa, procurar uma democracia nova como muitos, bem intencionados estão a tentar, nem emendar o passado todo duma vez só. Só a natureza pode fazer coisas dessa envergadura e ninguém deseja tsunamis.

Talvez devamos começar por erradicar os nossos próprios equívocos. Não conseguiremos erradicar todos mas poderemos tentar erradicar alguns. Pelo menos os mais perniciosos. Deixo algumas ideias:

Os que nos dirigiram até aqui não podem ser os mesmos a fazer-nos sair desta situação que em grande parte criaram. E não pensemos só em Direita. Esta Direita é em grande parte resultado da incompetência e dos erros de avaliação da Esquerda que nos tem servido. Por isso devem ser exigidas novas eleições. Mas eleições a todos os níveis: para o PARLAMENTO, e em todos os PARTIDOS.

Público e privado são termos equívocos. Os seres humanos vivem em sociedade que por natureza intrínseca só pode ser PÚBLICA. Por isso quando se promove o privado versus público é-se hipócrita porque privada, será a escova de dentes, os sapatos, talvez a casa, mas nunca a saúde, a cultura, o ensino ou a segurança. A coisa pública tem sido vilipendiada porque tem sido gerida como coisa privada. Há que mudar a forma de gerir a coisa pública mas nunca torná-la propriedade duns quantos como esta comissão liquidatária pretende fazer. Se os funcionários públicos trabalham mal que se exija que trabalhem bem mas não adianta despedi-los pois continuarão, depois sem préstimo, a pesar no erário público.

Lucro não é a medida de todas as coisas mas muita gente continua amarrada a essa ideia. As melhores coisas são feitas gratuitamente – como o amor ou os filhos e os mais nobres gestos humanos. Por isso deve ser feito um esforço para avaliar a importância das coisas, das remunerações que se auferem, e por aí a fora, segundo critérios mais abrangentes. Por exemplo os funcionários dum hospital se calhar deveriam ser remunerados segundo o contributo que dão para a redução do número de doentes na sua zona de influência… É apenas um exemplo. Muitos outros haverá.

Iniciativa: Deixamos a iniciativa aos investidores – o que é um investidor? – o empreendedorismo, aos empreendedores profissionais, ou aos “predestinados” para sê-lo. Abandonamos o “capitalismo” aos “capitalistas”. Este é um terrível mito. Todos nascemos com um potencial criativo e de empreendedor, tal como todos nascemos com capacidades para correr ou aprender. Mas só alguns chegarão às olimpíadas ou se tornarão grandes sábios. Mas isso não significa que não tenhamos potencial para colocar o nosso destino nas nossas mãos. Todos podemos – e devemos – empreender, ser criativos. Isso aprende-se e desenvolve-se e não impede que haja uma interação social. Haverá sempre erros mas serão erros que se podem corrigir porque serão lições. O empreendedorismo – a sério – é por natureza solidário, racional e sustentável. Por isso aproveitem o novo ano e tomem a iniciativa. Não aguardem que ninguém o faça por vós. Como diz o poeta

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber:

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!”

 

Pátria, patriotismo. A nossa pátria, em rigor, é o mundo, mas cada um tem as suas raízes e se não as estimarmos, se não tivermos orgulho delas – é a isso que chamo pátria -, seremos sempre maus “compagnons de route”, maus habitantes do planeta. Como podemos gostar do mundo se nos rejeitamos a nós próprios? Não podemos rejeitar o passado nem viver a seu reboque. Nem podemos excluir ninguém nem sequer os membros desta comissão liquidatária. Tudo e todos fazem parte, incluindo os inimigos… Somos humanos: Temos arrelias, zangas inimizades, mas convivemos uns com os outros, reproduzimo-nos uns com os outros, somos a razão de ser um dos outros, enfim, somos uma só família. Quem tenha dúvida sobre isto que passe uma tarde a apreciar uma aldeia de macacos… Aprende-se aí muita coisa sobre humanos.

Mas se esta comissão liquidatária persistir por mais tempo a nossa pátria mudará de nome Passará a chamar-se provavelmente “Portugal.com” e eu passarei a festejar com os meus netos as nossas datas patrióticas no Facebook.

Eu não quero isso para mim nem para ninguém Quero contar a ter como pátria algo analógico, como uma couve, um cachorro ou um pastel de nata. Rejeito uma pátria digital por mais bela e retocada de Photoshop que seja.

Bem hajam! Feliz 2013!