Equívocos e ideias simples

Estar mais atentos às contradições dos que beneficiam com o atual estado de coisas e que também se apresentam como vítimas deve ser uma prioridade. Devemos distinguir os que acham que a crise é uma oportunidade para regredir dos que acham que é uma oportunidade para construir um progresso mais justo. Nos “media” são ambos apresentados quase da mesma forma. É a filosofia do “é tudo a mesma coisa”, que tem vindo a ser promovida. Este é um equívoco tremendo a que devemos dar toda atenção pois esta ideia é transmitida igualmente por pessoas bem-intencionadas e por oportunistas. Quem apresenta a política, os políticos e faz denúncias bombásticas dando a ideia que é tudo “farinha do mesmo saco”, presta, consciente ou inconscientemente, um serviço às forças do retrocesso.

Para vencer a crise é preciso estar atento ao que se passa, desfazer os equívocos e por em prática ideias simples, como as que a seguir sugiro:

Os que conduzem a atual política, aproveitam a desunião dos seus adversários e exploram as suas contradições. Porque não procedem as suas vítimas – todos nós – de forma equivalente?

Porque não combatemos a profissionalização da política? A política não é uma profissão é uma condição básica, elementar, de TODOS OS SERES HUMANOS, tal como ser pai ou ser mãe. Deveríamos interiorizar esta ideia e gradualmente implementá-la. Isso acabaria com o carreirismo na política uma das principais causas da corrupção. O exercício dos cargos políticos pode – e deve – ser remunerado de acordo com as pessoas ganham na sua profissão normal.

Porque deixamos os nossos destinos nas mãos de terceiros? Porque hesitamos em criar estruturas mutuais ou cooperativas para resolver os problemas que nos afligem a partir dos nossos próprios recursos? Parecem escassos? Juntos potenciam-se e são maiores do que julgamos. O argumento de que nos estamos a substituir ao estado é uma falácia. As pessoas que empreendem têm motivos acrescidos para ser mais exigentes. A economia solidária não é compatível com políticas retrógradas.

Empreender aprende-se, governar aprende-se, não são domínios exclusivos de iluminados. A maior parte das donas de casa sabe mais de finanças que os gaspares que nos têm governado. Estamos sempre a tempo de aprender e quando não sabemos perguntamos.

 

A este propósito reproduzo um excerto do poema de Bertold Brecht,  “O elogio da aprendizagem”

(…)

“Não te acanhes de perguntar, companheiro!
Não deixes que te metam patranhas na cabeça:
Vê com os teus próprios olhos!
O que tu não sabes por ti mesmo, não sabes.
Confere a conta:
És tu que a vais pagar.
Põe o dedo em cada parcela,
Pergunta: O que é isto? Como aparece isto aqui?
Tens de assumir o comando.”

(adaptado)

ddd

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