Ética nas redes sociais

Se há uma coisa que me aborrece seriamente é a desonestidade intelectual. Qualquer nível detetado, por mais pequeno que seja, é sempre indício, de que se pode ir mais além, ou seja, de que não se pode confiar na pessoa envolvida.

Não sou dos que acham que as pessoas são vis ou perversas porque não pensam como eu ou porque não perfilham as mesmas opiniões. É normal haver desacordos. Admito o erro e a ignorância, em mim e nos outros, embora não os aprecie nem enalteça. Mas apenas o erro e a ignorância; não a desonestidade intelectual.

A desonestidade intelectual é uma forma específica de desonestidade que nem sempre é fácil de identificar. Ela é, por exemplo, a ação de encobrir as reais intenções através da demagogia, ou a deturpação voluntária de ideias ou factos, para atingir objetivos ideológicos ou defender interesses escondidos. É também o uso de artimanhas para ampliar a influência ou procurar obter vantagens, sejam elas de que tipo forem. Tudo isto é feito frequentemente com muito “engenho e arte”: E há grandes “artistas” na redes sociais…

As redes sociais, designadamente o Facebook, constituem um fenómeno novo na comunicação global, que pode ajudar as pessoas a contornar os inconvenientes do isolamento social. Elas representam uma espécie de tribuna crescentemente acessível a todos, estejam aonde estiverem, pertençam a que classe pertencerem.

As redes sociais, aproximam as pessoas distantes de forma simples e acessível, permite-lhes difundir ideias, sensibilidades e gostos dum modo bidirecional, ou seja, dialogante, coisa que os “media” tradicionais, quase nunca asseguraram e tendem a assegurar cada vez menos em contraciclo com as possibilidades abertas pelas novas tecnologias.

Algo tão importante deve ser usado com respeito e ampliado na sua difusão – designadamente combatendo a infoexclusão ainda existente -, e firmemente defendido da infiltração abusiva pelas centrais de “intelligentsia”. Mas também deve ser preservado do uso grosseiro e sobretudo da desonestidade intelectual. É fundamental pois que os utentes adotem um comportamento ético no uso deste instrumento. Sem isso este tipo de comunicação perderá credibilidade e está ameaçado na sua função mais nobre que é comunicar.

É por tudo isto que venho apontar para alguns comportamentos reprováveis indiciadores da referida desonestidade intelectual que tenho vindo a detetar no Facebook. São apenas alguns exemplos – haverá mais seguramente – e não refiro nenhum caso em concreto porque estou convicto que haverá pessoas, involuntariamente ou induzidas por terceiros, que os cometerão de boa fé. (Quantos agentes de vendas, involuntários, não haverá por aí…) A saber, pois:

– o expediente de usar os “amigos” de forma encoberta, para vender algo. Não serão condenáveis as vendas – de ideias, de produtos ou de serviços – desde que sejam feitas de forma clara, sem margem para dúvidas. Quem quer vender/promover alguma coisa, deve dizer claramente a sua intenção e não disfarçar o ato com qualquer pretexto “generoso”.

– métodos equívocos (para não dizer outra coisa) de ampliar a rede de influência – pessoal ou de grupo -, de engrossar a audiência de “amigos”. Por exemplo utilizar a defesa duma causa – daquelas que sensibilizam toda a gente – para ganhar “amigos” ou argumentar com falsas interdições do FB para levar pessoas a fazer pedidos de amizade.

– atacar ou defender ideias ou pessoas, caluniar ou fazer insinuações vexatórias, utilizando argumentos deturpados, falsos, fora do contexto ou de prazo, não citando fontes, ou fazendo referência a falsas fontes

– apoderar-se de textos, documentos, etc., de terceiros, sem consentimento prévio do(s) autor(es), fazendo-os seus, ou, pior do que isso, reproduzindo-os de forma propositadamente equívoca ou deformada

– utilizar o prestigio pessoal – seu ou doutrem – para obter vantagens, financeiras ou outras, sob o pretexto de contribuir para a defesa de alguma causa nobre.

Fica aqui esta chamada de atenção como contributo pessoal para preservar este instrumento de comunicação, que, para muita gente é quase a única forma de se ligar com o mundo. Se todos dedicarmos alguma atenção a esta situação estou certo que tornaremos mais difícil a proliferação da desonestidade intelectual nas redes sociais e dessa forma prestaremos um relevante serviço à comunidade.

Bem hajam!

Daniel D. Dias

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