Falemos de Sócrates

 

Há pessoas a impacientar-se por muito se falar da prisão de Sócrates. Ainda não entenderam que enterrar Sócrates – com razões válidas ou sem elas – é CRUCIAL para interiorizar a “necessidade” deste ajustamento a uma política de retrocesso e de miséria, que parece ter vindo para ficar. Esta comissão liquidatária que nos tem governado, e seus inibidos ou descarados apoiantes, precisavam desesperadamente disso. Especialmente para ganhar os muitos hesitantes que vão sendo alimentados na hipnose dos nossos “media”. Não esqueçamos o que dizia aquele senhor, muito sério, de que muitos têm saudade: em política o que parece é. O enterro de Sócrates, preparado há anos, tem o seu epílogo neste estranho caso jurídico, inédito no mundo, muito à boa maneira lusitana. Somos pioneiros, porra! A prisão de Sócrates, é pois, um feito e assim deve ser entendida. Não é de estranhar, pois, que o assunto seja muito badalado: Dá vazão aos amores e ódios de estimação, é o maior enterro de que há memória em Portugal, e… vende “jornais” como há muito não se via.

Falemos, pois, de Sócrates, carago!

Daniel D. Dias

Uma justiça que não para de surpreender

O Ministério Público acaba de mandar arquivar o célebre Processo dos Submarinos. Num país onde os grandes crimes económicos habitualmente prescrevem ou não dão em nada, tal facto não seria de espantar se não fosse a circunstância de, neste caso, haver comprovadamente a certeza de que HÁ MESMO criminosos. É que a justiça alemã em devido tempo condenou cidadãos alemães por TEREM SUBORNADO RESPONSÁVEIS PORTUGUESES que facilitaram (ou decidiram) a compra dos referidos submarinos.

Equívocos da justiça alemã, ou singularidades da justiça portuguesa que poderá não ser eficaz, nem sequer justa, mas que não para de surpreender?

http://visao.sapo.pt/processo-dos-submarinos-arquivado=f804817

http://economico.sapo.pt/noticias/submarinos-gestores-alemaes-condenados-por-suborno_134160.html

Daniel D. Dias

se decido ser bom

só um simulacro de  bondade crescerá em mim

se decido meditar

nunca encontrarei a meditação

se decido ser honesto

cultivarei a hipocrisia, nunca a honestidade

amor, verdade, virtude

são aromas preciosos

que não há forma de guardar

nem técnica de cultivo;

fluem como fresca aragem

que irrompe pela casa dentro

se a porta estiver aberta

mas se decido abrir a porta

com o propósito de aceder-lhes

nada surgirá;

por mais escancarada que fique

apenas acolherei a brisa da ilusão

Daniel D. Dias