Umberto Eco e as Redes Sociais

Umberto Eco afirmou recentemente: “As redes sociais vieram dar voz aos imbecis” que antes “apenas falavam nos bares, depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a colectividade”. E Eco acrescentava, lamentando: “Normalmente, eles (os imbecis) eram imediatamente calados, mas agora têm o mesmo direito à palavra que um Prémio Nobel”.

Francamente não vejo grande diferença qualitativa entre as intervenções nas redes sociais de Prémios Nobel, como as de Obama (que é Prémio Nobel), ou de doutores como Cavaco Silva ou César das Neves, e a rudimentar “vox populi” dos muitos iletrados imbecis que andam por aí igualmente a dizer disparates. Terão estes privilegiados (letrados) mais direito de proferir disparates que qualquer imbecil iletrado? Pelo menos em matéria de disparates sejamos democráticos…

Para mim o mais preocupante é o tremendo poder manipulador que as redes sociais põem ao dispor de especialistas que as usam para causar prejuízos deliberados a milhões de pessoas. Basta pensar nas “Primaveras Árabes” ou nas mentiras que se difundem na luta contra o terrorismo.

Resumindo: Contrariamente a Eco, o que me preocupa não são os idiotas que usam as redes sociais. O que me preocupa são os letrados e inteligentes cuja missão parece ser usar as redes sociais para criar e depois manipular cada vez mais idiotas…

Daniel D. Dias

Estranhos critérios da justiça portuguesa

A propósito do fim do ano escolar de alguns dos meus netos, passei uma parte do dia de hoje a visitar exposições, eventos, e outras atividades lúdicas e culturais organizadas por alunos e professores, numa daquelas escolas reconvertidas – modernizadas – no âmbito do programa Parque Escolar promovido pelo anterior governo, programa que o atual governo diabolizou e quase extinguiu. Foi um dia inesquecível, fascinante, algo que me orgulho de ver e que, estou certo, não deixou ninguém indiferente, alunos, pessoal docente, familiares, que por lá passaram.

De repente ocorreu-me esta reflexão: o principal responsável por este indiscutível progresso, está preso há vários meses, embora sem ter sido acusado de nada em concreto, e uma das suas ministras da educação foi entretanto condenada, acusada duma muito estranha “prevaricação”. Entretanto, hoje ainda, tomo conhecimento, de que João Rendeiro, responsável, esse sim indiscutível – perguntem aos milhares de credores que foram espoliados – pela falência do BPP (Banco Privado Português), foi absolvido dos graves crimes de que estava acusado…

É caso para perguntar: por que gaita de critérios se orienta a justiça portuguesa? Estranhos critérios sem dúvida: aleatórios, suspeitosos, quase até surrealistas.

Daniel D. Dias