Conhecimento e sabedoria

 

O conhecimento é o elemento estrutural da sobrevivência no curto e no médio prazo. No longo prazo é preciso algo mais para que a sobrevivência seja assegurada. É preciso que o conhecimento se torne sabedoria. Nesta “sociedade da informação” em que vivemos, a difusão do conhecimento é cada vez mais exponencial, nunca se esgota nem para, mas, paradoxalmente, parece não deixar tempo, nem espaço, para que o conhecimento acumulado, amadureça, se expurgue, se torne sabedoria.

Talvez por isso utilizemos tão mal o incomensurável conhecimento adquirido sobretudo nos últimos cem anos. Por exemplo, a misteriosa energia dos átomos, finalmente dominada, foi, antes de mais, usada para construir as mais mortíferas armas de sempre; o conhecimento cada vez mais profundo da mente humana foi – e continua a ser – usado, antes de tudo, para manipular as opiniões públicas e tornar as pessoas consumidoras compulsivas e irracionais; o conhecimento sempre crescente dos mecanismos da economia, são, antes de mais, utilizados para explorar o egoísmo humano agravando desigualdades, aumentando a miséria no mundo.

Didaticamente é relativamente fácil difundir conhecimento. O conhecimento pode transmitir-se, pessoa a pessoa, de forma cada vez mais fácil e eficaz. Os nossos educadores e pedagogos, são cada vez mais exímios nesse mister. Pena é que na transmissão da sabedoria as coisas já não sejam assim: A sabedoria, adquire-se, expande-se, mas não se transmite como o conhecimento. É algo que se ganha, que amadurece subtilmente, no âmago de cada um de nós. Por vezes, aparentemente, por influência de terceiros, como que “por contágio”, mas sempre segundo o preceito, “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”.

Mudar esta nossa época de “sociedade da informação”- ou de “sociedade do conhecimento” -, para “sociedade da sabedoria”, fazendo jus, aliás, ao pretensioso título que a nós próprios atribuímos de “homo sapiens”, é cada vez mais imperioso colocar na agenda de cada um de nós, na agenda da humanidade. O risco que corremos se não o fizermos rapidamente, é o de termos de regressar às cavernas, a “toque de caixa”. Ainda assim se nos sobrar algum tempo e capacidade para tanto…
Daniel D. Dias

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s